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01/02/2009 - 16h16

Metalúrgicos da GM decidem parar avenida Goiás contra demissões



Joaquim Alessi

“Se a empresa não ceder, o pau vai comer!” Com esse grito de guerra, comandado pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, aproximadamente 1.000 trabalhadores da planta da General Motors no ABC paulista aprovaram em assembléia, na manhã deste domingo, a adoção de ações mais radicais caso a montadora confirme a disposição de começar a demitir, a partir do final deste mês, os 1.633 funcionários que se encontram em licença remunerada desde 19 de janeiro, quando terminaram as férias coletivas.

A ira dos trabalhadores foi aumentada a partir de uma declaração do vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, exibida pela TV Bandeirantes na noite de sábado. O executivo afirmou que “não adianta fazer passeata”, em entrevista ao apresentador João Dória Jr. “Eles querem meter medo no trabalhador, então vamos mostrar nossa força”, discursou inflamado o presidente Cidão, para surpresa de muitos trabalhadores, acostumados com suas falas mais conciliadoras.

“Queremos primeiro o diálogo, sim, e estamos abertos à negociação, tanto que teremos uma reunião com a empresa na quarta-feira, às 10 horas da manhã, mas dependendo da decisão deles, se insistirem em demitir, vamos responder ao que o Pinheiro Neto falou”, disse Cidão, que propôs aos metalúrgicos “parar a avenida Goiás” – a principal via de São Caetano, onde fica a GM. O encaminhamento foi aprovado por aclamação, com praticamente todos os metalúrgicos levantando os braços.

A General Motors foi procurada para se manifestar diante da decisão da assembléia dos trabalhadores, mas, segundo a assessoria de imprensa, a montadora não vai comentar. Em 19 de janeiro, quando anunciou que colocaria os 1.633 funcionários em licença remunerada, a GM divulgou nota oficial em que afirmava que “honrará os termos dos contratos de trabalho por prazo determinado firmados de cada um dos funcionários temporários até suas respectivas expirações”. Esses contratos começarão a vencer no dia 27 deste mês. A montadora ainda declarou: “No caso de uma retomada das vendas a empresa avaliará a conveniência de renovar os respectivos contratos”.

O presidente do sindicato também orientou os trabalhadores a não aceitar “nenhum tipo de comunicado que não seja do sindicato”, e afirmou que a entidade vai orientar a todos sobre como proceder em relação às futuras ações da GM.

O líder operário, filiado à Força Sindical, conclamou as principais centrais do País a unirem-se para enfrentar “a crise e o capital” em seu discurso: “O capital não tem pátria, não tem mãe, não tem filho e não tem compromisso com a classe trabalhadora; se a gente já tivesse unido as centrais sindicais e parado esse País, quero ver se eles não tinham achado uma solução para a crise”. Cidão também cobrou uma postura diferente do governo federal: “Vamos sentar e negociar, deem dois anos de estabilidade para todos os trabalhadores e eu quero ver se essa economia não volta a crescer”. Finalmente, o sindicalista cobrou a participação da Prefeitura de São Caetano no processo: “Vamos mostrar a eles a desgraceira que vai ser para a economia esses 1.633 companheiros desempregados, sem salários para fazer suas compras”.

Cidão também aproveitou a assembléia deste domingo para, no final da reunião, pedir votos para a chapa 3 – “Alternativa Metalúrgica” -, que nos dias 11 e 12 de março vai disputar o comando do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. “Lá no Vale do Paraíba tivemos 744 companheiros demitidos pela General Motors porque o sindicato foi inflexível e não soube negociar; portanto, se vocês têm algum parente ou conhecem alguém que trabalhe em São José, pela para votar na chapa 3”, afirmou Cidão.

 



 
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